Trabalho sobre os Spy Monkey e a companhia Galpão

  

O termo Physical Theatre (Teatro Físico) surgiu em Inglaterra na década de 1970. Enquanto modalidade teatral integra os estilos da mimica, da dança e do circo.

De acordo com a atriz e pesquisadora teatral, Lúcia Romano, na sua obra, “Teatro do Corpo Manifesto: Teatro Físico”, a prática teatral anteriormente referida distingue-se devido ao foco no trabalho corporal dos atores. Por sua vez, esta metodologia tem como objetivo materializar todo o conteúdo teatral que reside numa dimensão espiritual ou mental, assim desenvolvendo manifestações corporais da temática de um determinado espetáculo ou representações não ortodoxas dos sentimentos dos atores.

Podemos corroborar a informação do parágrafo anterior, expondo a seguinte página da obra nele mencionada:

 O Teatro Físico quer enfatizar a materialidade do evento; physical poderia ser traduzido como “conectado ou relativo ao corpo”, correspondendo àquilo que pode ser sentido ou visto e que não existe apenas uma numa dimensão espiritual ou mental. A produção eclética reunida pelo conceito Teatro Físico é identificada com a tensão que se apresenta no duplo legado do nome que a caracteriza: uma ação sobre a fisicalidade, gerando uma certa disposição do corpo, em função de uma teatralidade específica. - Página 16

         Desde o seu surgimento, inúmeras companhias de teatro físico surgiram a nível mundial, sendo predominantes no ocidente e das quais, apresento as seguintes:

 

SpyMonkey:

Companhia internacional de teatro físico, assente em Brighton e fundada em 1997 pelos britânicos Toby Park e Petra Massey, o espanhol Aitor Basauri, o alemão Karl's Kühne Gassens e o suíço Paul Weilenmann.

O grupo é constituído por Toby Park e Petra Massey (britânicos), Aitor Basauri (espanhol), e Stephan Kreiss (alemão). De acordo com o seu diretor, Tom Morris, o conjunto segue uma rica tradição cómica inspirada no artista, Tommy Copper e nas duplas cómicas inglesas, “Morecambe and Wise” e “Reeves and Mortimer”.

Os SpyMonkey designam-se de clownescos e alcunham-se de “altos sacerdotes da folia”. Contudo, os elogios apresentados anteriormente não provêm apenas dos membros do grupo, Julian Crouch, da companhia “Improbable Theatre”, afirmou:

 

« (…) groundbreaking and sharply brilliant, Spymonkey dance along the very boundary of artistic bravery. They take big risks in their work, and manage to be both true to a highly experimental process AND take their audience with them on that journey. »1

Tradução:

«(…) inovadores e extremamente brilhantes, os Spymonkey dançam ao longo dos limites da bravura artística. Eles assumem grandes riscos no seu trabalho e conseguem ser fiéis a um processo altamente experimental, enquanto levam o seu público nessa jornada.»

 

Em 2019, a companhia decidiu celebrar os seus 20 anos com uma tour da peça “Hysteria”, na Inglaterra e nos Estados Unidos. A obra anteriormente referida é uma adaptação da peça, “Cooped” de 2003.


 
 

Grupo Galpão:

O grupo galpão foi fundado em 1982, na RFA (República Federal da Alemanha), pelos atores Teuda Bara, Eduardo Moreira, Wanda Fernandes.

O próprio grupo afirma que o seu trabalho teatral não se baseia em fórmulas ou métodos definidos, contudo, sempre desejou orientar-se em grupo na elaboração de espetáculos e principalmente, na reflexão da ética do teatro e do ator num amplo universo sociocultural.

Na época, os artistas anteriormente referidos frequentavam as aulas de oficina do teatro do Teatro Livre de Munique, tendo num contexto profissional se organizado juntamente com o ator Fernando Linares para formar esta companhia.

Não podemos de deixar de referir ainda referir o fim da ditadura militar Brasileira, que liberalizou a produção artística no país e consequentemente, facilitou o estabelecimento do Grupo Galpão em território brasileiro.

Os artistas desta década expressavam o desejo de combater as convenções artísticas do antigo regime. De forma a atingir este objetivo, expandiram o número de companhias profissionais e diversificaram as tipologias e estilos da produção teatral destas últimas. Exemplo deste novo estilo de produção teatral procurado é o teatro de rua, que predomina em Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais.

Corroboramos as afirmações anteriores recorrendo à obra do Professor Fernando Antonio Mencarelli, “Grupo Galpão: A Arquitetura Teatral e o Lugar na Construção do Espaço Cênico”:

 

«Os jovens fundadores da Associação Galpão acompanham, com excitação, o início do processo de redemocratização do país, com a volta dos estudantes às ruas. (…) A mobilização, em graus variáveis, se espalha para outras capitais: Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre, Brasília e Belo Horizonte. A rua volta a ser espaço para a expressão cultural e política – e consolida-se, também, como o palco mais atraente para aqueles jovens atores. Em 1982, alguns dos fundadores da Associação Galpão resgatam a razão social para fundar o Grupo Galpão. (…) O Galpão nasce associando, no próprio nome, duas questões essenciais ao grupo: a do homem ativo, que trabalha e transforma, e a questão do espaço – vazio, amplo, manipulável, livre.» - Páginas 12 e 13.

 

Na década de 1980, o grupo Galpão fortaleceu ainda mais a reforma do teatro brasileiro, ao estabelecer o “centro cultural do Grupo Galpão”. Esta iniciativa criou um espaço privilegiado de intercâmbio com a comunidade, estabelecendo-se numa tipologia de formação e pesquisa para o próprio grupo e a classe artística.

Atualmente o grupo é formado por 12 atores que trabalham com diferentes diretores convidados, como Fernando Linares, Paulinho Polika, Eid Ribeiro, Gabriel Villela, Cacá Carvalho, Paulo José, Paulo de Moraes, Yara de Novaes, Jurij Alschitz e Marcio Abreu, além dos próprios componentes – Eduardo Moreira, Chico Pelúcio, Júlio Maciel, Lydia Del Picchia e Simone Ordones -, que também já dirigiram espetáculos do grupo, o Galpão forjou sua linguagem artística a partir desses encontros diversos, criando um teatro que dialoga com o popular e o erudito, a tradição e a contemporaneidade, o teatro de rua e de palco, o universal e o regional brasileiro.

  






Bibliografia:

·       MENCARELLI, Fernando Antonio, “Teatro em Minas Gerais”, Universidade Federal de Minas Gerais, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais;

·       GONTIJO, João Marcos Machado, “Grupo Galpão: A Arquitetura Teatral e o Lugar na Construção do Espaço Cênico”, Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Belas Artes, Belo Horizonte, 2009;

·       ROMANO, Lúcia, “Teatro do Corpo Manifesto: Teatro Físico”, Editora Perspectiva, São Paulo, 2008;

·       DESCONHECIDO, “SpyMonkey – Wikipedia”;

·       DESCONHECIDO, “Company History – About Us – SpyMonkey”;

·       DESCONHECIDO, “História – O Grupo – Grupo Galpão”;

Site Oficial: https://www.spymonkey.co.uk/

Facebook Oficial: https://www.facebook.com/grupogalpao/photos/3793340060716381 


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 Curso de Teatro - 2º ano                                             1º Semestre

Disciplina de Teatro Físico                                          Professora Doutora Renata Meira

Aluno David Roma Pereira Pais de Almeida             Nº 45625

27/12/2020

 

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